Quinta-feira, 6 de Março de 2008

Folha-4

<Editorial

          Com grande orgulho nosso apraz-nos comnunicar a todos os dilectos associados uma boa nova: O Grupo Folclórico e Recreativo de Vilarinho acaba de receber o baptismo internacional após uma deslocação feita a Espanha no dia 1 de Março do  ano corrente.

          Foi a bonita vila de Verin, famosa instância termal do norte de Espanha, a uns 20 km de Chaves, que apadrinhou a internacionalização do nosso Rancho Folclórico e do Grupo de  Zés P'reiras, através dum convite para participarmos nas suas populares festas de Carnaval.

          Fidalgamente recebidos pela organização e povo de Verin quase nos apetecia dizer que "santos" de ao pé da porta não fazem milagres... - O Director

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                       À Oliveira

          A oliveira da serra,

          o vento leva a flor,

          ó i, ó ai, só a mim ninguém me leva,

          ó i, ó ai, p'ra junto do amor.

                    Verde foi meu nascimento

                    e de luto me vesti,

                    para dar a luz ao mundo

                    mil tormentos padeci.    

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As Azenhas

          Árvore oleacea, tipicamente mediterrânica, de folhas persistentes, originária da Ásia, a oliveira foi há muitos séculos introduzida na Europa com o nome latino de olivaria  ou olea europacea. Os antigos tinham por ela elevada veneração, simbolizando, entre eles, a Sabedoria, a Paz, a Abundância e a Glória.  Ainda hoje é costume benzer em Domingo de Ramos, pernadas de oliveira que se conservam em casa para queimar em dias de trevoada e desse modo afugentar...as faíscas (raíos).

          A oliveira é cultivada em quase todo o País, com principal predominância no Centro e Sul, embora o Norte, como se sabe, não fuja à regra e por todo ele abundam riquissimos olivais.

          O fruto da oliveira, a azeitona - que os árabes chamavam  az-zeituna - produz o delicioso azeite doce, tão usado nos temperos da nossa alimentação e nas conservas de peixe e carnes.

          As folhas e o azeite são também empregues em medicina. As primeiras sob a  forma de decocto, isto é: fervidas. Aplicam-se na hipertensão arterial. O azeite é um laxante e  colagogo, emprega-se por isso na prisão de ventre e em certas cólicas. Aplica-se também externamente, como veículo para linimentos e emplastros.

continua

publicado por aquimetem, Falar disto e daquilo às 07:10
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Segunda-feira, 3 de Março de 2008

da folha-3d

          A.G.C . - Amadurecida e arrancada a planta que outros cuidados imediatos requer o linho?

          M:M.-  É ripado, isto é, tira-se-lhe a corola (baganha); fazem-se as maçadoiras e depois o linho é levado para os poços, onde consoante a água for mais quente ou mais fria assim o linho fica a curtiir de 8 a 11 dias.  

          A.G.C - Concluidos esses trabalhos quais são os que se lhes seguem?

          M.M.- Retira-se o linho dos poços e lavamo-lo muito bem lavado para depois ser posto a corar durante uns 10 ou 15 diias, após o que fica pronto a ir para o engenho ou ser maçado manualmente pelos cultivadores, uma vez que só as pessoas que semeavam muito o madavam "moer" nos engenhos do Tâmega. 

          A.G.C .- Resumindo, o linho é então ripado, curtido, triturado com o maço ou no engenho. E que outras operações se seguem, Sra. Madalena? 

          M.M.- Olhe, depois é espadelado com a espadela, depois é sedado no sedeiro, depois fazem-se as estrigas e  é fiado na roca para fazer as maçarocas, depois no sarilho fazem-se as meadas que entram na barrela e depois vão a corar aproximadamente um mês, por fim doba-se na dobadoira é urdido e entra no tear para ser tecido, donde sai em varas (peças de  pano) que novamente vão a corar para o coradouro até que o pano fique branco como linho....

            A.G.C . - Transformado em pano que utilidade se dá depois ao linho?

          M.M.- Boa! Tem muita utilidade. Dá para fazer roupa, lençois, toalhas, sacos, rendas e muita coisa mais. 

          A.G.C . - Falou aí a Sra. Madalena,em rendas, ora as rendas ou bordados feitos de linho não são propriamente dito um tecido, portanto como é feito esse trabalho?

          M.M.- Pois, o linho antes de passar a bragal passa por um fase em que é fio e é com os novelos desse fio que a gente faz depois as nossas "habilidades"  no pano, usando as agulhas  de bordadeira, mas para isso não tecemos os novelos destinados a bordar.

          A.G.C . - Que outros derivados aproveitam voces da planta do linho?

          M.M. - Aproveita-se a carola para encher os colchões e os travesseiros das camas, a linhaça para fazer remédios caseiros ou para vender às pessoos que fazem remédio para as boticas vender, e ainda se aproveitam os tomentos  e os tascos para fazer o pano mais grosseiro que o linho dá.

---------------- E assim concluimos uma modesta entrevista, onde sobretudo tivemos a preocupação de  historiar uma tradição que desejavamos se não venha a extinguir, em prejuizo da corografia e da etnografia das antigas Ferrarias de entre Tâmega e Douro: Vilar de Ferreiros.

*******************

Noticiário

          Como é do conhecimento dos nossos associados a direcção do GFRV tudo tem vindo a fazer no sentido de dotar a nossa colectividade com uma sede condigna, nesse sentido tem abordado as mais  diversas entidades para o conseguir. A última entidade contactada e que muito nos tem apoiado foi o Sr.Presidente da Câmara a quem daqui dirigimos o nosso bem haja. 

          No próximo dia 22 de Dezembro passa mais um aniversário sobre a data em que faleceu o grande amigo do rancho José Queirós. Com muitas saudas paz à sua alma. >

publicado por aquimetem, Falar disto e daquilo às 07:45
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Sábado, 1 de Março de 2008

da folha-3c

O Linho

          (Entrevista dirigida por: Adão Gonçalves de Carvalho e coordenada pelo redacção da Folha Informativa do GFRV )

           O linho é uma planta linácea das regiões quentes e temperadas que derivado ao valor das suas fibras produzidas pelas suas hastes desempenha elevado papel na industria têxtil .

          Em Portugal, sobretudo no norte, a cultura desta planta tem, ainda hoje, muitos adeptos, que não raro procedem à sua manufacturação desde a sementeira à tecelagem. Mantendo assim viva uma tradição secular outrora praticada pela quase generalidade das famílias rurais,  tal a importância do linho na vida das populações do campo e da cidade.  

          Para além da sua aplicação nos tecidos  e rendados, a semente do linho (a linhaça) tem variadas aplicações medicinais para uso popular e cientifico.

          A região de Basto foi até à bem poucos anos considerável centro produtor dessa valiosa linácea que as jovens lavradeiras habilmente cuidavam por processos artesanais ou semi-artesanais , de que são ainda exemplo os tradicionais "engenhos" do rio Tâmega e os teares caseiros existentes em algumas casas das aldeias das terras de Basto, mormente na freguesia de São Pedro de Vilar de Ferreiros, onde a cultura do linho e a sua transformação em tecido ainda é um facto, em 1980.  

         Para dar ao leitor uma ideia exacta das fases e operações porque passa esta linácea até chegar a bragal, vamos ouvir a Sra . Maria Madalena Ribeiro dos Reis, experimentada tecedeira e cultivadora de linho, do lugar de Bezerral (Vilarinho):

          A.G.C . - Sra. Maria Madalena, eu sei que a senhora foi durante muitos anos uma tecedeira destacada desta terra, ao mesmo tempo que cultivava o linho que tecia, porque deixou de tecer e semear esta planta?

          M.M - É verdade. Olhe, aqui há 40 ou 50 anos atrás havia pouco dinheiro para a gente gastar na feira e por isso o remédio  era tecer e semear  o linho para proveito da casa. Hoje as coisas melhoraram um pouco, as leiras são precisas para milho e o tear está ali a um canto, para recordação....

          AGC - Ainda há na freguesia muitas pessoas que cultivem linho e teçam?

         M.M  - Há sim, senhor. A Beatriz Carvalho de Morais, a Maria da Glória Carvalho d Morais, a Maria Joaquina Teixeira, a Maria  de Jesus Morais Pires, e outras; e pena tenho eu de já não poder também.

          A.G.C  - Sra. Madalena, em que mês são feitas as sementeiras do linho?

          M.M - São no Abril, fins de Abril. E as arrancadas por alturas do Sant'Iago. Havendo entretanto o linho inverneiro que é semeado em Novembro e arrancado também em Julho.   

          A.G.C - Que operações tem que se fazer desde a sementeira até ao arranque da planta?

          M.M . - Tem que ser regado umas 3 ou 4 vezes com  ajuda do "basculho" e tem de ser mondado para lhe tirar a "gorga" , erva daninha prejudicial ao seu crescimento.

  continua

 

publicado por aquimetem, Falar disto e daquilo às 09:15
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