Domingo, 15 de Novembro de 2009

Folha 29-d

ça s desenhar-se o futuro do incomparável escritor , que nascido em Lisboa, recebeu e cultivou o génio trasmontano. Do Padre António de Azevedo, recebe as primeiras "Lições de  Humanidades" e aprende na aldeia a conviver com os humildes que na terra cavam o pão que a vila e a cidade mastiga.

          Passa por Friúme e ali conhece Joaquina Pereira de França, com quem casa na igreja de São Salvador de Ribeira de Pena, a 18 de Agosto de 1841. Segue para o Porto na tentativa de vir a cursar Medicina; porém, o seu destino era ser escritor, e que genial ESCRITOR!

          Os estudos não se coadonam com a rambóia, nem a vida aventureira  com a paz de espírito das pessoas santas, ora neste domínio falhou Camilo. Tanto amou as mulheres que por amor a elas sofreu muitos dissabores e até a vergonha do cárcere. Um dia foge a Pinhheiro Alves com a Mulher Fatal, e como resultado dessa aventura foi parar à cadeia do Porto. Mas antes, a região de Basto voltou a conhecer o autor de Novelas do Minho. Na tentativa de de fugir às malhas da Justiça, Camilo deambula uma vez mais pelas nossas terras. Em Doze Casamentos Felizes é ele mesmo que confessa ter estado na aldeia da Anta (Bilhó) a comer um vintém de pão negro a meia scom o seu cavalo. Isto quando da fuga de Fafe para Vila Real, em 1860, antes de de ser preso por crime de bigamia.

          Preso e finalmmente absolvido, Camilo acaba por ir viver com Ana Plácido na fatídica casae São Miguel de Seide, onde cego e desgostoso com uma vida que nem sempre lhe foi ditosa, morreu a 1 de Junho de 1890.

          A respeito deste notável roman cista recordo o seguinte episódio ocorrido comingo: Um dia desloquei-me de São Mamede do Coronado ao Porto, para ali visitar numa casa de saúde, o nosso amigo abade Morais Miranda, então  em observações e tratamento na  casa de Saúde da Boavista, vizinha do Marquês. Acompanhava-me um amigo e de baixo do braço um livro de Camilo que andava a ler. Ao entrar no quarto do ilustre sacerdote e depois de uma breve traca amistosas palavras vem as interrogações: "Então quem é este jovem teu amigo?"- perguntou. - Eu respondi que era um colega meu. - Logo a pergunta: "trabalham no mesmo oficio juntos?"- Eu já a ver que tinha posto o pé na poça, lá fui dizendo: não ele é tecelão,  trabalha na industria téxtil. - " então não digas que é teu colega, mas sim que é teu amigo ou companheiro. Colega é aquele que tem a mesmo ofício ou profissão". Mas uma desgraça nunca vem só, o pior vem a seguir. Sobraçava eu A Queda dum Anjo que sinceramente receava mostrar ao distinto sacerdote, embora supondo  que não conhecesse bem a obra de Camilo. Mas às tantas, ao mesmo tempo que me perguntou  o que é que andava a ler, vai e deita-me a mão ao livro. Não respondi.

          Depois de demoradammente folhear o livro, parou nas primeiras páginas a ler  a dedicatória do autor, e naquela frase " Volto a oferecer-lhe uma das minhhas bagatela", detem-se  por alguns momentos, e exclama cheio de admiração : " As minhas  bagatelas...mas que grande e genial escritor!" E devolveu-me o livro, ao mesmo tempo que me fez a seguinte recomendação: " Lê, ma lê bem. Tem cuidado ... Olha que Camilo é muito  maroto".

          Só muito mais tarde compreendi a razão porque o Abade Morais Miranda prezava tanto a Língua Portuguesa: ele era um verdadeiro Camilianista

Costa Pereira

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UM MUNDO DE ALEIJADOS

          Vai este boletim sem noticias, que certamente não faltam sobre os mais divversos temas do quotidiano local. Actividades culturais e recreativas da Associação, do Grupo de Zés P'reiras, dos grupos Corais e do nosso Futebol Clube havia por certo muito que dizer, mas que  deixamos para quando os interessados se resolverem a perder o medo de escrever na Folhazinha que ´´e de todos e para todos.

          Temos que olhar o provir de forma confiantes e  nunca desnimados, porque já o nosso Camilo castelo Branco, dizia: - "O Futuro é um descuido do maior número e uma aflição de poucos espíritos que vieram sãos a um mundo de aleijados".

CP>

publicado por aquimetem às 00:00
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