Segunda-feira, 14 de Dezembro de 2009

Folha -33b

Subir ao Monte Parnaso - o Monte Farinha

Por: Costa Pereira.

          Aonde quer que vá parar em tempo de férias costumo sempre idealizar um ou dois arrazoados de circunstância para depois publicar em qualquer jornal da região visitada, quando não num daqueles já habituados à minha desajeitada prosa.

          Este ano alapei-me uma vez mais junto da duna e mar remexido do velho arrais ti Mira, o lobo da onda que, segundo Aquilino, era o "tipo acabado do antigo fenício sóbrio e aventureiro". Cada vez mais familiarizado com a geografia humana, histórica e paisagística deste recanto leiriense que o silencio poético do Lis e a suave brisada Mata do Urso cala para dar voz ao vaivém da salgada espuma e cantarolar da cigarra, engendrei um artiguelho sobre a Bajouca e outro sobre terras da Sertã cuja publicação confiei sucessivamente ao semanário de Leiria, O Mensageiro, e ao quinzenário bombarralense, Noticias do  Bombarral; sobrando ainda espaço para redigir o presente parecer que a leitura de um qualificado trabalho de Jaime Cortesão pede a respeito da região de Basto.

          "Quem vai para o mar, aparelha-se em terra", ensinou-me o "Zé Cego" do Pedrogão, a utilizar a máxima. Ora eu que vim, como viram, disposto a não tostar demasiado a pele ou perder a mobilidade cerebral devido à inércia física; tive, para evitar contágios, que me imunizar adequadamente com a exigida terapêutica duma boa leitura, por acaso descoberta no relato descritivo duma viagem de sonho desde o Velão a Gatão, guiado pelo filho mais ilustre da terra dos Cantanhedes e que nas Fisgas se perdeu... 

          Com todo o gosto e admiração acompanhei o mestre no passeio idílico que com o poeta brasileiro Murilo Mendes, o Homem de Ançã fez por volta de 1960 a terras de Santa Senhorinhha e a pressa de ir levar lágrimas e flores à campa do Poeta do Marão projudicou no essencial, ao passar distraido pela base do mais majestoso relevo paisagistico da região de Basto sem lhe observar o porte e tecer uma referência. A fim de encontrar esta incompreensivel omissão precisei de pôr as minhas faculdades mentais em cuidada actividade até encontrar pela lógica justificação explicativa para a miopia e desatenção de tão apurado retratista da terra e do homem português.  Penso que descobri a razão da falta cometida pelo insegne historiógrafo e daí lhe desculpar a irreverência para com o Monte Farinha.  

          Quem de terras distantes entra pela primeira vez as fronteiras de Basto só fazendo-o pelo lado de Fafe ou Amarante dá de caras imediatamente com aquele assombroso cone

orográfico que entre o Tâmega e Cabril se afunila em direcção ao ceu para atingir os quase mil metros de altitude, e como prémio lá no cume sustentar erguida por coroa e feudo seu a ermida do Monte Farinha. Não foi este o trajecto escolhido por Jaime Cortesão quando, pelo Velão, maravilhado viu surgir no panorama paisagistico o aspecto símile de Delfos e, atraido pelo encanto, deu consigo nas arrepiantes Fisgas de Ermelo, que parece lhe atrofiaram o sistema de retenção memorial, visto ficar sem capacidade para fixar o nome do  rio OLO como da transcrição se percebe: "No caminho para Mondim de Basto, da ponte sobre o Culo, avista-se ao fundo a longa cascata, em que o rio cai da serra do Porco. Nos primeiros dias de Maio, engrossada pelas chuvas da invernia a cascata assume uma selvática majestade. Mete-se pela estrada florestal à direita; o automóvel pára a 200 metros das Fisgas, estranha panóplia de longas lanças de xisto, varanda rústica sobre que é preciso arrastar-se para admirar a cascata". Não fora trocar o nome do rio e de ter inventado à origrafia local mais um topónimo (porco) a descrição tinha jus a figurar gravada a letras de ouro na polida "fraga amarela", assim apenas mereceu o meu comentário.  

          Perturbado pela espectacular visão da Cabrilada e ânsia de respeitar  projectos agendados, o forasteiro ilustre retoma viagem pelo vale do Olo até próximo de Paradança donde ensombrado pelos montes do Toumilo passou alheio ao relevo que ali começa a ver-se crescer em cone. Não asseguro, mas tenho a impressão que, fascinado, só acordou quando de costas para Trás-os-Montes deu consigo fora do mágico cenário donde acabou de sair "De Mondim de  Basto para Amarante por Fermil e Celorico, à beira do Vale uberrimo do Tâmega, estamos de novo em pleno Minho, numa estrada báquica , ladeada pelos tirsos verdes das uveiras, e donde, de quando em quando, correm bandos de perdigotos, maçarocas ainda mal pintadas, a escorregar-se no mato".

          O maravilhoso circuito turistico tinha por objectivo homenegear a Serra do Marão e o seu Poeta, Teixeira de Pascoais; mas este, como eu, lamenta que os seus amigos tenham descoberto a Delfos portuguesa sem subir ao monte Parnaso, o Monte Farinha.

In O POVO de BASTO, de Novembro de 1991.

»»»»»»»»»»»»»»»»»»»»»»»»»»»»».

JUNTA de FREGUESIA de

VILAR de FERREIROS

Deseja aos seus conterrâneos

BOM NATAL e FELIZ ANO de 1992. 

publicado por aquimetem às 17:25
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Folha-33c

JÁ NÃO HÁ SOCOS

          Como assinalei no meu esgotado opúsculo intitulado "A Região de Basto e as Ferrarias entre Tâmega e Douro" até há bem pouco tempo abundaram no seio da nossa comunidade os tradicionais artesãos que junto à estrumeira do gado ou da adega mantinham " a sua loja de trabalho" apetrechada com os seus rudimentares, mas eficientes  instrumentos de guiar ou consertar coisadas.

          Já lá vai quase meio século que deferente à  casa onde nasci, o saudoso ti António Juquim d'Oliveira tinha a loja de soqueiro ao lado da corte das vacas e amiudadas vezes eu lhe surgia curioso a bulir em tudo quanto fosse ferramenta: formão, enxó, serrote, arrancadeira e sovelas, mas eram com o mascote e as formas que me entretinha horas sem fim. Nas tachas, pregos, coiro e machada é que o mestre me ralhava de pegar.

          Era um regalo ver-me no meio daquele monótono lascar e pregar do ti António Juquim!     

          Quando disso carecia, munido do serrote vinha fora e duns troncos de amieiro estendidos a um lado do quelho, retirava alguns rolos que com a machada rachava,  a modos de achas pró lume. Depois empilhava essa madeira na loja e quando seca colocava na primeira acha à mão o molde do pé que com um lápis riscava. É a partir desta fase que a arte do soqueiro se vai projectar na peça a construir.   

          Com a machada a desbastar até dar o formato mais ou menos aparente, entra depois  a serra em função para abrir o salto. Alisa-se de seguida o tosco com auxilio da enxó e onde esta não chega vai o formão actuar para guiar os paus.

          Talhado o coiro (cabedal) que fora amaciado com ajuda do mascoto de madeira e a arrancadeira de ferro, entra em acção a sovela e o pregar das tachas e pregos que vão dar por pronto um para de socos ou de socas bem atamancadas...

          Deixou-se morrer a arte que na freguesia ainda o ti Manel Queirós, de Vilarinho, há pouco conheceu viva. Já não há socos.

CP.  

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À MARGEM....

          A gravura, ao lado, serviu de ilustração para um bem fundamentado relato que sobre certo acontecimento recente na nossa paróquia o TERRAS de BASTO fez. Em letra miudinha que é para ler  com atenção, vejam na página seguinte os comentários do autor do texto sobre tudo quanto o impressionou e fez andar em aranhas para descobrir uma das mais antigas terras do concelho de Mondim. 

publicado por aquimetem às 17:06
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Folha-33

<EDITORIAL

          Fez recentemente 12 Outubros que foi oficializado o Grupo Folclórico e Recreativo de Vilarinho e talvez pelo facto do acontecimento recair no começo das geadas, a data vai ficando silenciada. É pena porque o GFRV tem um compromisso estatutário, com a freguesia, de se manter activo no campo cultural e de nunca perder de vista as ocasiões memoráveis que o envolve ou rodeia.

           A falta de imóvel que assegure ao agrupamento a facilidade de reunir e ensaiar os elementos do Rancho continua a ser o principal adversário duma política associativa para a nossa terra desejada  e nos estatutos do GFRV expressa. Essa lacuna foi atempadamente notada e logo foram movimentados os mecanismos para de imediato a eleminar. O terreno para a construção foi adquirido e as promessas de apoio à obra também não faltaram, só que nestes assuntos tudo que se queira fazer há-de ser sempre com o dinheiro dos pobres e as promessas dos ricos. Não falha.

          Para comutar toda esta situação que se vem arrastando sem benefício para a comunidade local, está a encarar-se a hipótese de criar uma comissão pró-sede do GFRV e apostada na angariação de fundos soficientes a garantiir no mais curto prazo a conclusão da obra de que Vilarinho carece. A noticia dessa boa intenção e o saber-se que os actuais responsáveis pela colectividade pensam promover actividades recreativas e culturais no sentido de captar receitas para o mencionado fim é já sinal de que o bairriismo ainda tem voz em terras do médio-Tâmega e à sombra do folclore...

CP

»»»»»»»»»»»»»»»»»»»

Ai tão lindo Menino,

Ai que graça tem!

Ai que tanto se parece

Com Maria, sua mãe!

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BOAS FESTAS

São os votos do

GFRV.

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Feliz Ano de 92

ººººººººººººººººººººººº

publicado por aquimetem às 14:13
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Folha-32b

A Regado do "Munho" e o "Munho" do Ribeiro

          Tomando na Cruz de Rila um carreiro que em direcção a Sul nos encaminha para junto da Regada do Moinho encontramos a pouca distância e, na testada da Alcina do Roque, o " Munho do Ribeiro". Apesar de pelo menos haver mais dois moinhos ali ao pé e com o da Escraviança movidos pelas primeiras correntes que descem a Ribeira Velha, só um tomou o nome masculino dado em Vilarinho ao leito da decantada Ribeira. É precisamente desse, do "Munho" do ribeiro que vamos hoje falar um pouco à cerca da sua identidade física e personalidade etnográfica.

          Como os demais moinhos d'água dos nossos córregos e levadas , o "Munho do Ribeiro" é um modesto cardenho, guiado com cubo e inferno,  na margem esquerda do rio; que é afinal o dono do espaço da construção,  bem  ao contrário do do ti Manel Lopes e do do Juquim do Fernando que estão dentro das terras de cada um.

          Foi precisamente a análise desse contraste evidente que nos levou a descobrir no "Munho do Ribeiro" a prova de ter existido entre nós um profundo espírito comunitário  pouco a pouco riscado da tradição e memória local. Ajudou também o facto de entre os herdeiros do "Munho" não aparecer nenhum apelido Ribeiro a sobrepor-se e retirar força aos Queirós, Nunes, Manel Rego e outros como a ti Marquinhas da Sousa que arreliada de chegar por mais que uma vez ali e não poder moer por falta do esguicho, dizia: "Cada herdeiro do "munho" devia de ter o seu zicho...". Vão à Lampassa, ver os moinhos.

CP

LLLLLLLLLLLLLLLLLLLLLLLLLLLLL    

Solidário com a causa rural

          Em representação do Grupo Folclórico e Recreativo  de Vilarinho conhecemos há dias uma associação cuja descobrta nos mereceu a seguinte análise: Movimento quer dizer deslocação, marcha, evolução de ideias; como solidariedade quer significar qualidade daquilo que é solidário com os interesses ou responsabilidades de um individuo ou grupo social. Com estas duas palavras um reconhecido número de pessoas afectas ao estudo das principais carências do homem do campo tomou a peito a corajosa decisão de levar à prática o sentido correcto de cada um desses vocábulos imprimindo-lhe carácter identificativo pomposo no nome dado a uma associação que no terreno próprio promete trabalhar: o Movimento de Solidariedade Rural (MSR).

          Como se conclui da leitura expressa numa nota informativa anexa ao articulado das fichas dos sócios " O MSR nasceu em 1983 num Encontro Nacional de Rurais que teve a participação de 50 pessoas, representantes de grupos de todo o país que reflectiram e disseram o que pensam do desenvolvimento do meio rural. As conclusões desse enontro podem ler-se no livro Mundo Rural - Que Desenvolvimeno?", o qual certamente poderá ser adquirido pelos interessados na sede da associação na Av. Sidónio Pais,20-4º,1000 Lisboa. São muitos e ambiciosos os objectivos deste Movimento apostado em promover o desenvolvimento rural português e já com alguns deles a alcançar êxito admirável em áreas diversas como a formação de animadores, apoio a projectos locais, visitas de estudo, seminários para estudo e debate dos problemas dos rurais, tomadas de posição, publicações, jornal e outros. Tudo de harmonia com a proposta estatutária de estimular novos projectos de produção e de vida e da plena consciência dos problemas do meio rural que importa cada cidadão ter e cultivar.

          Para uma absorção do valor da obra desenvolvida pelo M.S.R. talvez valha a pena evidenciar dois ou três casos passíveis de ser tomados como prova real daquilo que já foi concretizado desde a sua criação. Assim e para o efeito merece particular destaque aquela primeira iniativa de levar os responsáveis em "Caravana" por todo o país ouvindo as ansiedades dos rurais e das carências das terras, tomar conhecimento in loco. Tratou-se de uma iniciativa original e que produziu frutos tentadores....É de repetir. Depois surgem os cursos de formação profissional agricola, que em colaboração com a ACR e a JARC, o MSR dinamizou com êxito em Aveiro, Lourinhã e Mafra, tornando mais aptos os profissionais formados. Mas de todos os feitos já realizados a elaboração de projectos de desenvolvimento local do tipo "Aldeias de Montanha" é sem dúvida o que de mais relevante até agora se fez a merecer também o reconhecimento da CEE. Há muito a esperar deste Movimento.

          Quem não puder ser sócio do MSR que pelo menos se faça assinante do seu porta-voz, o mensário Solidariedade Rural, pois em qualquer dos casos está a ser solidário com a causa rural

Costa Pereira

         --------------

          In O POVO de BASTO, de 16 de Abril/1991.

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Folha-32

< EDITORIAL

          Mais teimoso que os elementos do Rancho, o boletim informativo do GFRV entra com este  Nº no seu 12º ano de existência. Em Junho de 1980 confiado numa onda de visivel dinâmica cultural que passou pela nosa terra, o Boletim aparece como redotor desse movimento mal acarinhado. Era de esperar mais apoio e adesão de animadores por parte da comunidade local para que tudo se não ficasse pelas mãos de dois ou três carolas muitas vezes como eu pobres de engenho e arte para levar a obra a cabo por sua conta e risco.

          Feito a 400kms de distância da sede do Grupo de que é porta-voz, o Boletim Informativo nem sempre consegue ouvir devidamente a mensagem que  por dever lhe cumpre transmitir  e não transmite. Longe do centro onde se desenrolam os acontecimentos que interessam divulgar só o engenho daqueles residentes dispostos a participar na missão de informar pode ajudar o Boletim a ser fiel aos compromissoos assumidos. Há mais de uma década que todos nós leitores e colaboradores na feitura deste desataviado jornaleco já notamos ser todo ele obra de loucos cujo número anda longe da meia duzia....Nada mau em termos de doença do foro psiquiátrico, mas terrivel como espelho da cultura dum povo.

          Teimosos iremos continuar a ser e, se Deus nos deixar, a servir na medida da nossa capacidade os valores históricos, humanos e culturais da terra onde nascemos e muitas vezes à toa se desperdiçam energias e riquezas que só o tempo há-de confirmar. Por agora temos a certeza de ter um Boletim Informativo que entrou no XIIº Ano de labor, que a sua humildade conduza aqueles que o lêm na freguesia de Vilar de Ferreiros a serem mais aperaltados...

J.A. da Costa Pereira

tttttttttttttttttttttttttttttttttttttttttttttttttt

          Jornalismo-: De todas as produções literárias de um povo, o jornal é, inquestionavelmente, o padrão por onde se pode avaliar pricisamente o grau da sua cultura mental.

Nunes de Azevedo

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Folha-32c

Nova Mesa da Irmandade

de Nossa Senhora da Graça

          POR DOM JOAQUIM GONÇALVES; POR MERCÊ DE DEUS E DA SANTA SÉ APOSTÓLICA,  BISPO DE VILA REAL.

          Encontrando-se dissolvida a Mesa da Irmandade de Nossa Senhora da Graça, Vilar de Ferreiros - Mondim de Basto, por pedido de demissão de Manuel António Borges da Silva (vice-Presidente) e de Armando Martins Cardoso (Tesoureiro) requerida pelos próprios, em Março de 1991;

          Tornando-se necessário constituir  uma Comissão Administrativa até à elaboração dos Estatutos próprios daquela Irmandade;

         Ouvido o respectivo Pároco de Vilar de Ferreiros, em cuja paróquia se situua o Santuário de Nossa Senhora da Graça; Hei por bem nomear para a referida Comissão os senhores:

          1 - Padre Manuel Joaquim Correia Guedes, Pároco de Vilar de Ferreiros (Presidente)

          2 - Manuel Lopes, casado, residente em Vilar de Ferreiros (Secretário) 

          3 - Manuel Mário Borges Lopes, casado, residente em Vilar de Ferreiros (Tesoureiro); e

          4 - Manuel da Silva Queirós, casado, residente em Vilar de Ferreiros (Vogal).

         Agradece-se aos membros demissionários a colaboração prestada e lembra-se aos elementos da nova Comissão Administrativa a obrigação de se cingir às prescrições do Direito Canónico no que tange à administração dos bens eclesiásticos, devendo, nos casos omissos, consultar a Vigararia Geral da Diocese

          Dada em Vila Real, aos 19 de Abril de 1991 

          + Joaquim Gonçalves, Bispo de Vila Real

         E eu, Monsenhor Eduardo Sarmento, Chanceler da Cúria, a subscrevi.

jjjjjjjjjjjjjjjjjjjjjjjjjjjjjjjjjjjjjjjjjjjjjjjjjjjjjjjjjjjjjjjjjjjjjjjjj  

O CAVADOR (Musa Alentejana)

          Sol-posto.  Enxada ao ombro, para a

                                                                 aldeia 

          Volta da cava, taciturno e lento,

          O velho cavador. No espaço anseia

          Uma angústia febril, na ânsia do

                                                                vento...

          Vem morto de fadiga e sofrimento;

          Cai na vasta paisagem que o rodeia

          Frio e noite; vão dar-lhe paz e alento

          A mulher andrajosa e a magra ceia;

Comem ambos agora ao pé do lume...

toda a sua ventura se resume

Na comunhão dessa hora benfazeja,

         A mulher, finda a ceia, num conforto,

         "Louvado seja Deus", murmura, e, absordo,

         Responde o cavador: " Louvado seja!"

Conde de Monsaraz

LLLLLLLLLLLLLLLLLLLLLLLLLL

VILAR DE FERREIROS

          Com a participação ou não dos responsáveis da nossa autarquia local, no passado mês de Março o "Dia Mundial da Floresta" foi também celebrado em São Pedro de Vilar de Ferreiros sob os auspícios do governador civil de Vila Real, Dr. Aires Querubim. Para assinalar a efeméride, nos nossos "Baldios do Curisco e Fojo" mais de 190 ha de sementeira foram ocupados e repovoado com 10.000 trutas o vizinho Olo em parceria com o nosso rio Cabril.

          Não faltando à iniciativa o bom conselho de ilustrar o acto com a introdução na respectiva área de mais exemplares de corças e perdizes que agora com  campo de alimentação e bebedouros torna mais fácil a vida selvagem ali.

          Do feito retiramos algumas conclusões que não sendo atrevidas nos granjearam  o reparo  de ver   tão ilustres visitantes penetrar nos "Baldios do Corisco e do Fojo" sem ao menos uma missa na capela de São José do Fojo que como sabemos pertece a Vilar de ferreiros. Será que petiscaram na tasca em frente que muito bem explora o guarda florestal do lugar? Também não sabemos se foi dado oportunidade à Junta da Freguesia de Vilar de Ferreiros de ir mostrar aos convidados as rauinas da capela de São Paulo e os calhaus do mesmo nome que são território nosso em litígio com a vila. Qualquer iniciativa cultural que se faça entre nós tem aceitação se não for demagógica  e comezinha, o que acreditamos deste vez não tenha sido.

          Que esta sementeira germine o azevinho e ervedeiro tradicionais da nossa montanha e sem recio dos caçadores criminosos do concelho reine o javali, a corçça, o lobo e a perdiz, dado que das Fisgas desapareceu a águia do Marão e da foz do Cabril a lontra vai ter a mesma sorte. Será que as trutas no cabril já foram postas a pensar-se no estómago esfomeado da lutra ou noutros estómagos ainda mais dilatados que o desse carnívero? O tempo o dirá e nós cá estamos para ver.

CP

          --------------

          In Terras de Basto, de 15 de Maio de 1991.

=============================

FEROSIDADE

          Quando um homem quer matar um tigre, é desporto; quando um tigre quer matar um homem , é ferosidade. - B. Shaw.

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